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ToggleAtenção: este artigo contém spoilers das duas primeiras temporadas, incluindo a morte de um personagem central. Se ainda não assistiu, vá assistir todos os episódios e volte depois.
Em julho de 2025, Neil Druckmann, criador do jogo The Last of Us, saiu da série feita a partir do seu jogo, numa jogada que quase nenhum fã previu.
Para você não correr e pensar em conspiração, já ti adianto informar que não foi briga pública. Foi uma saída anunciada com elogios de parte a parte. Mas o momento é difícil de ignorar pois ele deixa a produção justamente antes da temporada que vai encerrar a história.
Isso torna uma pergunta antiga bem mais urgente: quanto a série de The Last of Us já se afastou do jogo, e quanto ainda vai se afastar?
Este artigo foi escrito com o objetivo de responder a essa pergunta e apresentar o balanço completo das mudanças de The Last of Us.
Vamos começar com a saída de Druckmann da série The Last of Us
Segundo o Rolling Stone Brasil o anúncio veio pouco depois de terminar o trabalho na segunda temporada, o que na prática significa:
- Druckmann não participa da escrita, da direção ou das decisões criativas da terceira temporada.
- Continua creditado como cocriador e produtor executivo, mas o envolvimento é nominal.
- A roteirista e produtora executiva Halley Gross também saiu.
- Craig Mazin permanece no comando e disse que pretende manter o padrão das duas primeiras temporadas.
A justificativa de Druckmann foi focar na Naughty Dog, que é o estúdio de desenvolvimento de videogames de propriedade da Sony, e em novos jogos, entre eles Intergalactic: The Heretic Prophet.
Isto significa que a temporada final de The Last of Us será a primeira feita sem a presença criativa de quem escreveu a história original.
A mudança mais elogiada: Bill e Frank
Se você quer entender por que a série The Last of Us é considerada uma boa adaptação, o terceiro episódio da primeira temporada é a resposta.
No jogo: Bill vive numa cidade cheia de armadilhas e Frank existe apenas como uma menção de alguém que tirou a própria vida, sem rosto e sem história.
Na série: o episódio dedica quase todo o tempo aos dois. Mostra Bill a montar a fortaleza, a chegada de Frank, a conexão nascendo quando ele toca piano depois de um jantar. Mostra a doença que leva Frank à cadeira de rodas, e o último dia que os dois escolhem ter juntos — o casamento, o jantar, o vinho, e a decisão de Bill de acompanhá-lo (MeuPS). Nada disso existe no jogo.
E a cena com Joel foi reduzida a uma carta, encontrada por Ellie, em que Bill confia as armas e a missão de proteger quem ficou.
O argumento central de quem defende a adaptação é de que ela não copiou os jogos, mas acrescentou.
As mudanças da segunda temporada de The Last of Us
Aqui a lista é longa, porque a segunda temporada, tal como apontou a Rolling Stone Brasil, reorganizou bastante. Veja estes detalhes:
Abby aparece muito mais cedo. No jogo ela surge tarde, como ameaça oculta. Na série, aparece logo depois do massacre em Salt Lake City, já com a missão definida. A série escolheu transparência onde o jogo escolheu choque.
Jackson é atacada. Uma horda invade a cidade, com um bloater que quase mata Tommy. Esse ataque não existe no jogo.
Personagens novos. Gail, a terapeuta, foi criada para a série. Mas ela já havia sido planejada para o jogo, mas a ideia cortada do jogo.
Dina ganha peso. Na série, ela é mais estratégica e lidera a missão. Também tem uma relação de pai e filha mais explícita com Joel.
A assembleia de Jackson. O conselho vota contra a vingança, e Ellie e Dina fogem sozinhas. Seth entrega armas e suprimentos, um papel que no jogo é de Maria.
Tommy fica. No jogo, ele sai para caçar os assassinos de Joel. Na série, permanece em Jackson.
Um detalhe de cronologia. A canção “Future Days”, que no jogo marca a cena do violão, foi omitida: na série o apocalipse acontece em 2003, e a música só existiria dez anos depois.
A morte de Joel: a diferença que mais dividiu
Esta merece seção própria, porque é a cena mais discutida das duas temporadas.
No jogo: Abby esmaga o crânio de Joel com um taco de golfe, continuando os golpes enquanto Ellie assiste. É brutal, longo e insuportável.
Na série: Abby bate com o taco, mas depois o esfaqueia no pescoço com a borda quebrada, após Owen pedir que ela pare.
A diferença parece pequena mas não é. No jogo, a morte é um excesso sem freio, e é isso que torna a vingança de Ellie compreensível. Na série, há uma interrupção, um pedido, um gesto de contenção. Abby fica menos monstruosa, e a jornada de Ellie, mais difícil de justificar.
Quem defende a mudança diz que ela prepara a reviravolta de perspectiva que vem depois. Quem critica diz que ela amolece o soco que a história precisava dar.
O que a série The Last of Us acrescentou de novo
Vale separar, nas mudanças de The Last of Us, o que foi alterado do que foi inventado:
- O fungo infestando os canos de água de Jackson
- O flashback de 2018 que mostra a traição de Isaac à FEDRA
- A gravidez de Dina revelada mais cedo, em vez de servir de justificativa narrativa
- A mordida de Ellie no metrô, com Dina passando a noite de arma em mão até ter certeza
Repare no padrão: quase todo acréscimo serve para dar mais tempo de respiração aos personagens secundários. É a assinatura de Mazin e é exatamente o que se perde se o padrão não se mantiver.
O que a série nunca se atreveu a mudar
Esta é a parte que quase ninguém analisa, e é tão reveladora quanto a lista de alterações.
Com tudo o que se reorganizou, há decisões que a série de The Last of Us manteve intactas:
- A imunidade de Ellie e tudo o que ela implica
- O massacre dos Vagalumes em Salt Lake City e a escolha de Joel
- A mentira de Joel a Ellie no fim da primeira temporada
- A morte de Joel pelas mãos de Abby
- A troca de perspectiva para o lado de quem o matou
Repare no critério: tudo o que a série mudou foi contexto, ritmo e tempo de tela. O que ela nunca tocou foram as decisões morais que fazem a história doer. Mazin acrescentou carne em volta do osso, mas não mexeu no osso.
É por isso que The Last of Us funciona onde outras adaptações falham e é exatamente esse instinto que estará em teste na temporada final.
Você pode ver uma explicação mais detalhada de o por que as adaptações de jogos finalmente funcionam neste outro artigo muito rico escrito e publicado aqui no CineChave.
O que esperar da terceira temporada de The Last of Us
Como é apanágio aqui no CineChave, sempre separamos o que está confirmado do que não está:
Confirmado: a terceira temporada chega em 2027. O presidente da HBO, Casey Bloys, disse textualmente que não tem data definida.
Não confirmado oficialmente: que seja a última. O Omelete escreveu que Bloys disse acreditar que Mazin planejou a terceira como final, mas isso é o entendimento dele, não um anúncio formal.
A expectativa é que a temporada adapte o resto do segundo jogo, com Ellie e Abby no centro, e é aí que está o maior desafio da série. A segunda metade do jogo pede que o público passe horas na pele de quem matou Joel. Em videogame, você é obrigado a jogar mas em televisão, é possível desligar.
Perguntas frequentes sobre The Last of Us
A série The Last of Us é fiel ao jogo? Nos acontecimentos principais, sim. O que muda é a ordem, o ritmo e o espaço dado a personagens secundários.
Vale jogar depois de ver a série? Sim, e o contrário também. O jogo entrega a experiência de controlar as decisões; a série entrega cenas que o jogo nunca mostrou, como o episódio de Bill e Frank.
Por que Neil Druckmann saiu? Para se dedicar integralmente à Naughty Dog e a novos jogos. Continua creditado, mas sem participação criativa.
Quando estreia a terceira temporada? Em 2027, sem data anunciada.
A terceira temporada é a última? É o mais provável, mas não houve anúncio oficial, apenas a declaração do presidente da HBO sobre o que entende ser o plano.
O que fica
A série de The Last of Us construiu a reputação de melhor adaptação de videogame justamente por não ter medo de mudar o jogo. O paradoxo é que agora ela vai fechar a história sem quem a escreveu.
Mazin provou, nas duas primeiras temporadas de The Last of Us, que sabe acrescentar. A temporada de 2027 vai mostrar se sabe acrescentar sozinho.
E você, prefere as mudanças da série ou acha que ela devia seguir o jogo à risca? Conte nos comentários.
Continue no CineChave e veja também as melhores adaptações de jogos para assistir agora, e muito mais sobre as adaptações de jogos para as telonas.


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